skullLore Ilegal

Capítulo I — O Crime Antes da República

Em meio às transformações que moldaram Valíria ao longo das décadas, o crime sempre acompanhou o poder. Durante o período do reinado, roubos comuns e bandos organizados eram raros aos olhos da população. A violência visível era mínima, mas isso não significava ordem: significava controle.

Nos bastidores da sociedade, Barões e Duques financiavam mercenários, assassinos e ladrões para resolver disputas políticas, silenciar opositores e manter privilégios. Em público, eram exemplos de virtude, famílias impecáveis e devotos da Fé dos Cinco. Em privado, conspiravam em salões fechados e reuniões clandestinas, usando o submundo como extensão de sua influência.

Foi nesse ambiente que surgiu uma figura temida até pelos próprios nobres: o Rei do Crime. Ninguém conhecia seu rosto ou nome. Sabia-se apenas que ele coordenava o ilegal de Valíria.

Reis do Crime não reinavam para sempre. Quando um caía, outro assumia.

A sucessão era sempre anunciada pelo mesmo símbolo: um lobo morto coberto por uma pele de ovelha, deixado ao amanhecer. O predador disfarçado entre os justos.

Capítulo II — A República e a Nova Face do Submundo

Com a anexação de Valíria à República Federalista dos Estados Unidos, o crime mudou de forma.

Títulos nobres perderam valor oficial, mas não o poder real. Antigos barões tornaram-se grandes proprietários, industriais e financiadores políticos. O jogo continuava, apenas com novas regras.

Enquanto a atenção pública se voltava aos bandoleiros do Velho Oeste, poucos percebiam que eles nunca agiam sozinhos. Sempre havia financiamento, rotas seguras e proteção invisível.

O Rei do Crime permanecia, agora mais próximo da alta sociedade, protegido por discursos morais e pela Fé dos Cinco, usada como véu social e político.

Capítulo III — Sete Jovens de Saint Denis

Na periferia de Saint Denis, cresceram sete jovens. Filhos da parte esquecida da cidade, trabalhavam na feira, carregavam caixas, ajudavam moradores em troca de alguns dólares.

Não eram criminosos. Eram sobreviventes.

A inflação aumentava, o custo de vida subia e o trabalho honesto já não bastava. Um deles sustentava uma mãe e uma irmã doentes, dependendo de remédios caros e do boticário local.

O sistema falhava, e o governo estava distante demais para ouvir.

Eles não se viam como marginais, mas como homens empurrados para fora da linha. A cidade tinha regras que só funcionavam para quem já tinha poder.

Capítulo IV — O Primeiro Crime

A oportunidade surgiu pelas mãos do mais velho do grupo. Um conhecido do pai lhe ofereceu mercadoria ilegal, fácil de vender, desde que feito com cuidado.

Não era um plano grandioso. Era necessidade.

A escolha da noite não era ritual. Era estratégia. Conheciam os becos, os horários da patrulha, os atalhos esquecidos. Vestiam-se de escuro para não chamar atenção.

Funcionou.

O dinheiro veio. Depois, o risco. Em seguida, a reputação.

Os jornais começaram a noticiar sete homens vestidos de preto que surgiam e desapareciam rapidamente.

Assim nasceu o nome:

Comerciantes das Sombras de Valíria.

Capítulo V — Da Sobrevivência ao Poder

O sucesso mudou tudo. Não apenas pelo dinheiro, mas pela sensação inédita de controle sobre o próprio destino.

De vender, passaram a roubar. De roubar, passaram a eliminar ameaças.

A violência não nasceu de crença ou devoção. Nasceu da lógica do submundo: quem hesita, cai. Quem cai, é esquecido.

Com o tempo, deixaram de ser vistos como pequenos criminosos. Tornaram-se bandoleiros organizados, frios e disciplinados. Saint Denis passou a temê-los.

O nome mudou:

Os Homens-Sombra.

Capítulo VI — O Chamado do Rei do Crime

Nenhum grupo cresce no submundo sem chamar atenção.

O Rei do Crime exigiu um encontro pessoal em New Austin. Não foi um convite: foi uma ordem.

A viagem revelou a verdade. Foram enviados para morrer.

Em Lemoyne, New Hanover e West Elizabeth, enfrentaram bandos rivais, caçadores de recompensa e milícias locais. Sobreviveram porque aprenderam rápido: organização, brutalidade e exemplo.

A marca deles tornou-se clara: corpos dispostos em círculo nas entradas das cidades.

Um aviso simples:

Não desafiem o que não entendem.

Capítulo VII — A Ruptura

Ao se aproximarem de New Austin, entenderam o jogo.

O Rei do Crime não queria aliados. Queria eliminar a concorrência.

A resposta foi inevitável.

Todo rei cai. Alguns apenas demoram mais.

Capítulo VIII — 1900: O Fim de um Rei

Em 1900, o Rei do Crime foi encontrado morto.

Executado.

Sua cabeça foi exibida na entrada da principal cidade de New Austin, coroada com vidro quebrado: símbolo de um poder que parecia sólido, mas sempre foi frágil.

Pelas ruas, uma mensagem simples apareceu:

A Sorte chegou.

Os Homens-Sombra deixaram de existir.

Nascia A CÚPULA NEGRA, os Donos da Sorte de New Austin.

Capítulo IX — A Nova Ordem Ilegal

A Cúpula Negra não administra pequenos crimes.

Ela governa o submundo.

Sete integrantes. Mesmo peso. Mesmo poder. Nenhum acima do outro.

Para o mundo exterior, a Cúpula fala por uma única voz: um porta-voz sem identidade conhecida.

Isso não é misticismo. É estratégia.

Centraliza a comunicação e protege o comando.

Eles controlam rotas de contrabando, carroças ilegais, profanação de túmulos para obtenção de materiais raros e a distribuição de recursos escassos.

São o eixo da economia ilegal do condado.

Capítulo X — Fortes, Território e Guerra

O objetivo nunca foi apenas lucro.

New Austin abriga nove fortes estratégicos, cada um contendo conhecimento, manufatura e tecnologia capazes de transformar um grupo em potência dominante.

Controlar esses fortes é controlar o futuro.

A disputa não é apenas contra bandos rivais.

É contra interesses governamentais, forças federais e elites que preferem o caos controlado à perda de influência.

Capítulo XI — 1905: Os Donos da Sorte

Em 1905, ver uma silhueta negra no horizonte não é aviso de assalto.

É uma sentença.

A Cúpula Negra tornou-se a espinha dorsal do ilegal em New Austin: árbitros do caos, reguladores da violência.

Um mal necessário para alguns.

Um inimigo direto para os grandes governos.

A Sorte não escolhe lados.

Mas a Cúpula Negra escolhe quem permanece de pé.

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