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Valíria: Da Coroa à República

Como reino, Valíria prosperou.

Sob suas bandeiras, cidades foram erguidas, estradas traçadas e o poder se consolidou. Desde seus primeiros séculos, a Fé dos Cinco foi declarada a fé oficial e o alicerce espiritual do reino, não apenas como crença, mas como fundamento moral, cultural e político.

Capítulo I — O Período do Reinado em Valíria

(A Era dos Moraes e a Primeira Queda do Trono)

Por séculos incontáveis, antes que a República sequer fosse um conceito, Valíria foi um reino absoluto, governado por uma única linhagem que jamais dividiu o trono: a Casa Moraes.

Os Moraes não eram apenas reis. Eram símbolos.

Servos fiéis da Fé dos Cinco, governavam sob a crença de que os deuses haviam concedido a Valíria o direito divino à soberania. Seus estandartes tremulavam com orgulho, seus templos eram vastos e o povo, em sua maioria, os venerava quase tanto quanto aos próprios deuses.

Valíria prosperava. As cidades cresciam. As estradas ligavam povos. O ouro fluía.

Mas prosperidade, sob os Moraes, nunca foi suficiente.

Capítulo II — A Ideologia da Dominação

A Casa Moraes acreditava em algo absoluto: Valíria estava destinada a governar.

Não apenas suas terras conhecidas, mas tudo aquilo que existisse além de seus mapas.

Relatos começaram a chegar à corte sobre terras ao norte e ao oeste: regiões intocadas, florestas que respiravam magia, montanhas antigas, rios vivos e criaturas jamais catalogadas. Terras férteis, abundantes, ricas em mistérios e poder.

Essas terras, porém, não estavam vazias.

Ali viviam os Primeiros Homens, ligados aos deuses antigos, e os Filhos da Floresta, guardiões primordiais da natureza e da magia ancestral.

Para os Moraes, isso não era um impedimento. Era um desafio.

O reinado não pedia licença. O reinado tomava.

Capítulo III — A Primeira Guerra das Terras Selvagens

Sob o comando do então rei Philip de Moraes Castro, Valíria marchou.

Exércitos organizados, armaduras reluzentes, estandartes da Fé dos Cinco e a certeza de que a soberania valiriana era incontestável. A guerra foi declarada não como conquista, mas como destino manifesto.

As Terras Selvagens responderam.

Os Primeiros Homens lutaram com dons concedidos por seus deuses antigos: assumiram Faces divinas, tornaram-se lobos, ursos e corvos, invocaram relâmpagos, fúria e a própria terra sob seus pés.

Os Filhos da Floresta transformaram o ambiente em arma: as árvores se fecharam, o chão engoliu soldados, e a magia antiga rasgou formações inteiras.

A guerra foi brutal. Ambos os lados sangraram.

Mas, ao final, Valíria caiu de joelhos.

Capítulo IV — A Primeira Derrota dos Moraes

Pela primeira vez na história, o estandarte dos Moraes foi recuado.

As forças valirianas foram expulsas das Terras Selvagens, e os vencedores deixaram um aviso que ecoaria por gerações:

Aquelas terras não seriam adestradas. Aqueles povos não se curvariam a tiranos. Valíria não era soberana sobre tudo o que existia.

Era a primeira guerra perdida da Casa Moraes. E os deuses antigos não esqueceram.

Capítulo V — A Praga das Tempestades

Como punição pela tentativa de extermínio e pela arrogância do trono, uma praga foi lançada sobre Valíria.

Tempestades incessantes tomaram o reino: chuvas violentas, ventos que derrubavam torres e céus eternamente fechados.

As colheitas falharam. As doenças se espalharam. O povo passou a temer o céu.

O próprio rei, Philip de Moraes Castro, adoeceu. Definhou lentamente, consumido pela praga que ele mesmo havia provocado.

Sua morte não foi gloriosa. Foi silenciosa. Pesada. E simbólica.

Capítulo VI — A Ascensão de Heitor de Moraes Castro

Com a morte do pai, o trono passou para Heitor de Moraes Castro.

Diferente de Philip, Heitor era um rei gentil, observador, consciente.

Ele compreendeu o erro cometido. Entendeu que a guerra não havia sido uma demonstração de força, mas de soberba.

Seu primeiro decreto foi claro: o tempo de guerra com as Terras Selvagens estava encerrado.

Heitor anunciou ao povo que Valíria precisava se transformar, não pela espada, mas pela responsabilidade.

Capítulo VII — O Pedido de Perdão

Heitor reuniu a guarda do castelo.

Não levou exércitos. Não levou armas. Levou oferendas.

Frutas, roupas, joias, tecidos, tudo o que o reino podia oferecer como símbolo de paz. Eles não conheciam aquele povo. Não compreendiam sua cultura. Mas Heitor sabia de algo fundamental: tudo ali era mágico.

Diante das Terras Selvagens, o rei ajoelhou-se. Colocou a mão sobre a terra e orou.

Não sabia com qual deus falava. Mas falou como rei de Valíria.

Pediu perdão por todas as vidas perdidas em uma guerra criada pela ambição do trono. Jurou, diante da terra, dos céus e dos animais que habitavam aquelas regiões, que nunca mais haveria conflito entre Valíria e as Terras Selvagens.

Jurou que os grandes animais, ricos em pelo e carne, jamais seriam caçados ou mortos pelo povo valiriano. Aquela seria uma promessa eterna, selada em troca de paz.

Capítulo VIII — O Fim das Tempestades

Não demorou.

O céu começou a se abrir. As chuvas cessaram. O vento acalmou.

A praga foi retirada.

O povo sorriu novamente. Valíria respirou.

Ao retornarem para suas casas, o decreto foi oficializado:

Valíria jamais voltaria suas armas contra as Terras Selvagens.

Assim terminou a Era das Guerras de Expansão. E assim começou o lento caminho que, séculos depois, levaria à queda do trono e ao nascimento da República.

A Casa Moraes continuaria a governar… mas nunca mais seria a mesma.

Capítulo IX — A Chegada da República

(O Fim da Coroa, o Nascimento da Soberania Moderna)

Os séculos passaram, e com eles, o mundo mudou.

As coroas começaram a cair uma a uma. A ciência avançava onde antes só havia fé. As armas deixaram de ser símbolos de honra e tornaram-se instrumentos de precisão. O povo passou a questionar aquilo que antes aceitava como destino.

Valíria, ainda governada pela Casa Moraes, já não era apenas um reino: era um símbolo antigo em um mundo novo.

O poder do trono enfraqueceu não por guerra, mas por desgaste. A Fé dos Cinco permanecia viva, forte e dominante, mas já não bastava para justificar um governo absoluto diante de um mundo que falava em leis, constituições e repúblicas.

Foi nesse momento que a história mudou para sempre.

Capítulo X — O Fim da Monarquia Moraes

A queda da coroa não foi marcada por sangue.

Não houve execução. Não houve revolta popular. Houve um acordo.

Os Moraes, conscientes de sua própria história de glória e erro, aceitaram que Valíria não poderia sobreviver isolada em um continente que se organizava sob novos poderes. O diálogo com os Estados Unidos da América começou de forma cautelosa, estratégica e silenciosa.

Valíria não foi conquistada. Valíria foi anexada por escolha.

O antigo reino tornou-se uma República Federalista, mantendo sua identidade, suas leis locais, sua fé e suas tradições, agora sob o guarda-chuva constitucional americano.

Capítulo XI — Abel de Moraes: O Juiz Superintendente

Para guiar essa transição, um nome foi escolhido: Abel de Moraes.

Descendente direto da Casa Moraes, Abel não subiu a um trono: sentou-se em um tribunal.

Não vestia coroa, mas toga. Não governava pela herança divina, mas pela lei.

Ele se tornou o Juiz Superintendente de Valíria, a mais alta autoridade jurídica e administrativa do novo estado federado. Sua função era clara: garantir ordem, soberania interna e estabilidade política.

Sob Abel, Valíria não perdeu sua identidade. Pelo contrário: ela se reorganizou.

Capítulo XII — Cavalaria, Progresso e Ordem

O avanço foi rápido.

A antiga guarda real foi reformulada na Cavalaria Republicana de Valíria, uma força híbrida que misturava tradição e modernidade.

Cavalos ainda marchavam pelas ruas, mas agora lado a lado com armas de fogo, códigos legais e treinamentos táticos.

As estradas foram ampliadas. As ferrovias cortaram montanhas. O comércio floresceu.

Valíria tornou-se um eixo estratégico: uma ponte entre o antigo mundo e o novo.

A prosperidade voltou, mais organizada, mais calculada, mais perigosa.

Capítulo XIII — Sombras nos Becos: Máfias e Bandos

Com o progresso vieram as sombras.

Os becos de Valíria começaram a ser ocupados por máfias, bandos armados e organizações criminosas: contrabandistas, ocultistas fora do controle do clero, alquimistas ilegais, mercadores de artefatos divinos e sangue antigo.

A cidade crescia rápido demais para ser perfeita.

A fé ainda existia, mas agora dividia espaço com dinheiro, influência e poder político. Onde havia riqueza, havia crime. Onde havia silêncio, havia conspiração.

Valíria prosperava… mas observava.

Capítulo XIV — Valíria Hoje

Em 1905, Valíria é um paradoxo vivo.

Uma cidade republicana, mas profundamente religiosa. Uma terra moderna, mas enraizada em deuses antigos. Um estado anexado, mas jamais submisso.

A Fé dos Cinco ainda é a fé principal. Os templos ainda se erguem. As seitas ainda atuam nas sombras. A Cavalaria ainda patrulha.

Valíria é respeitada. Temida. Observada.

Não como um território frágil, mas como um exemplo de força, soberania e adaptação.

Ela não esqueceu seu passado. Não renegou seus deuses. Não se curvou totalmente ao novo mundo.

Valíria sobreviveu à coroa. Sobreviveu à guerra. Sobreviveu à modernidade.

E permanece como sempre foi: uma potência, um símbolo… um aviso.

Capítulo XV — A Soberania dos Estados de Valíria e o Novo Mundo

Com a consolidação de Valíria como República Federalista, foi estabelecido que cada estado manteria sua soberania administrativa, cultural e territorial.

Lemoyne, New Hanover, New Austin, West Elizabeth e Ambarino passaram a reger-se de acordo com suas próprias realidades, respeitando a Constituição Federal, mas preservando costumes, crenças e identidades antigas.

Valíria não nasceu homogênea, e jamais tentou se tornar.

Capítulo XVI — A Chegada do Cristianismo

Com a abertura dos portos, o avanço das ferrovias e a aproximação política com os Estados Unidos, o cristianismo chegou a Valíria.

Não como uma força conquistadora, mas como mais uma crença entre tantas.

Sua chegada causou impacto: novas igrejas foram erguidas, valores morais diferentes passaram a circular, e muitos cidadãos encontraram conforto na ideia de um Deus único e redentor.

Durante um tempo, temeu-se que a nova fé pudesse enfraquecer as tradições locais. Isso não aconteceu.

A Fé dos Cinco já estava profundamente enraizada na cultura, na política e na identidade valiriana. Seus templos, ritos e hierarquias não ruíram diante do novo credo. Ao invés disso, adaptaram-se.

Capítulo XVII — Valíria como Estado Laico

Para evitar conflitos religiosos e garantir estabilidade, Valíria declarou-se oficialmente um estado laico.

Nenhuma fé seria imposta. Nenhuma fé seria proibida.

A Fé dos Cinco permaneceu como a fé majoritária e tradicional, respeitada e seguida pela maioria da população, enquanto o cristianismo consolidou-se como uma religião relevante, mas não dominante.

Ambas passaram a coexistir.

Capítulo XVIII — Os Estados de Valíria

Lemoyne — O Estado da Política e da Influência

Lemoyne tornou-se o coração político e econômico.

Ali floresceram as instituições republicanas, os tribunais, as casas legislativas e os grandes templos da Fé dos Cinco.

É onde a fé se mistura com a política: onde decisões são tomadas à mesa antes de serem tomadas no campo de batalha. As máfias encontraram terreno fértil nos becos úmidos e nas docas, enquanto o clero consolidava seu poder público.

Lemoyne não esqueceu os deuses. Apenas aprendeu a usá-los com palavras, leis e influência.

New Hanover — A Força Militar e Industrial

New Hanover se tornou o pilar militar e industrial de Valíria.

A Cavalaria Republicana encontrou ali seu maior centro de treinamento, misturando disciplina moderna com tradições antigas de combate.

Fábricas, ferrovias e arsenais surgiram rapidamente.

Muitos Primeiros Homens, agora conhecidos como nórdicos, migraram para a região, reconhecendo na pólvora, no aço e na organização militar uma nova forma de poder.

Mesmo assim, muitos mantiveram seus ritos antigos em salões fechados, longe dos olhos da República.

New Hanover avançou… mas não esqueceu como lutar.

West Elizabeth — O Equilíbrio entre o Novo e o Antigo

West Elizabeth tornou-se o estado do equilíbrio.

Ali, antigos territórios florestais coexistem com cidades em crescimento. Foi uma das regiões onde os Filhos da Floresta, chamados pelos humanos de nativos, mais participaram do avanço da sociedade valiriana.

Muitos aceitaram integrar-se: tornaram-se guias, estudiosos, druidas urbanos, comerciantes e até oficiais. Ensinaram rotas, técnicas de cultivo, conhecimentos da terra e da água.

Outros, porém, recusaram-se a abandonar os ritos antigos. Permaneceram nas florestas profundas, mantendo seus pactos com Elarya e a natureza viva.

West Elizabeth respeita essa divisão e sabe que romper esse equilíbrio traria consequências.

New Austin — A Terra do Ilegal

New Austin é uma terra dura, quente e impiedosa.

Distante dos centros políticos, religiosos e administrativos de Valíria, tornou-se o espaço onde a República não governa plenamente. Ali, a lei existe apenas como conceito. Na prática, ela é negociada, burlada ou simplesmente ignorada.

New Austin não cresceu. Ela se acumulou.

Vilas surgiram sem autorização, erguidas por foras da lei, desertores, contrabandistas, mercenários, ocultistas renegados e todos aqueles que não encontraram espaço na ordem valiriana.

Estradas clandestinas e trilhas ocultas ligam assentamentos ilegais, rotas de fuga e pontos de comércio proibido.

A pólvora é regra. A magia é mercadoria. A fé é usada como desculpa ou arma.

É comum encontrar:

  • bandos armados disputando territórios, rotas e influência;

  • máfias e organizações criminosas operando longe da fiscalização do Estado;

  • alquimistas e ocultistas ilegais explorando elementos proibidos e artefatos esquecidos;

  • caçadores de recompensas, cuja moral depende apenas do pagamento.

O clero quase não pisa nessas terras.

A Cavalaria entra apenas em grandes operações e raramente permanece.

Não há pactos antigos. Não há tradição a proteger.

New Austin existe para aquilo que Valíria não quer assumir.

É o lugar onde o proibido acontece, onde erros desaparecem, onde ninguém pergunta de onde você veio… apenas o quanto você está disposto a perder.

New Austin não foi domada. Não foi integrada. Foi abandonada à própria lei.

Ambarino — As Antigas Terras Selvagens

O que antes era conhecido como Terras Selvagens passou a ser oficialmente chamado de Ambarino.

Essa mudança não foi apenas política. Foi um acordo sagrado.

Ambarino permaneceu como território protegido, onde os Filhos da Floresta e os nórdicos tradicionalistas mantiveram maior autonomia.

As cidades são poucas, pequenas e cercadas por vastas regiões intocadas.

Ali, os deuses antigos são mais fortes. A fé não é simbólica: é viva.

Os acordos permitiram:

  • algumas evoluções tecnológicas controladas;

  • comércio limitado;

  • respeito absoluto aos ritos, às criaturas e às terras sagradas.

Quem entra em Ambarino sem permissão aprende rápido o significado de soberania ancestral.

Capítulo XIX — Integração e Resistência

Tanto os Filhos da Floresta quanto os Primeiros Homens passaram por processos semelhantes.

Muitos avançaram. Aprenderam sobre pólvora, política e sociedade moderna. Inseriram-se em Valíria como cidadãos, soldados, estudiosos e líderes.

Mas muitos resistiram.

Mantiveram suas terras. Mantiveram seus deuses. Mantiveram sua fúria, seus ritos e sua identidade.

E Valíria, aprendendo com seus próprios erros do passado, não tentou mais apagar essas culturas.

Pois sabia:

Aqueles que sobreviveram ao início do mundo, à guerra, à traição e à modernidade… não seriam quebrados por decretos.

Capítulo XX — Valíria como Exemplo

Hoje, Valíria prospera não por uniformidade, mas por tensão controlada.

É um mosaico de fé, pólvora, magia, tradição e ambição. Um território onde o novo cresce… mas o antigo observa.

E enquanto seus estados permanecerem soberanos, seus povos livres, e seus deuses lembrados, Valíria continuará sendo aquilo que sempre foi:

Uma terra que não se curva.

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